sangue profano

domingo, 18 de agosto de 2013
Suas mãos geladas em meu corpo quente me causavam arrepios que percorriam toda a minha espinha. Sua voz grossa atravessava meus ouvidos como seda até chegar em meu coração. Quando nossos gemidos se juntaram para formar um coro uníssono, eu cheguei ao ápice. Ali derramada em seus braços, com ele derramado dentro de mim, eu senti minhas crenças e certezas se transformarem em duvidas. Se existe um deus, ele com certeza estaria rindo muito daquele momento, porque eu tinha me apaixonado pelo meu irmão e estarmos naquela cama rodeados das lembranças do que tínhamos acabado de fazer ia contra tudo que chamamos de lógico. Ia contra tudo que chamamos de sensato.

Uma foda

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Já era dia e ele estava acabado. Havia bebido muito na noite anterior e dela só lembrava de passagens vagas. Quem era aquela estranha com quem transou? Lembrava de terem feito um sexo animal, como ele não tinha tido em muito tempo, ou talvez até nunca. Lembrava do gosto da boca dela, dos seus peitos, do seu gozo. Lembrava da sensação de estar deslizando dentro dela. "Caralho, que sensação". Ele lembrava até dos detalhes do seu cabelo caindo pelo seu ombro, mas não conseguia lembrar o nome dela, nem ao menos onde a encontrara. Então seria só isso? Uma foda e fim? Aparentemente, sim. "Pelo menos foi uma foda bem gostosa" - pensou ele.

"e o que dizem é que foi tudo por causa de um coração partido" - LEGIÃO URBANA

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A dor estilhaçava seu coração. Apenas restaram as lembranças. Memórias de quando eram felizes juntos. Ela o abandonou da forma mais brutal possível. O que aquele cara tinha que ele não? "Ele tem paixão", foi o que ela disse. Por tantas vezes ele deixou de lado seus sonhos e vontades para satisfazê-la, e agora ela o pagava trocando-o por um cara que nem ao menos sabia trocar uma lâmpada. "Inúteis! Eles se merecem" - dizia ele toda vez que alguém lhe perguntava sobre o fim do namoro, quando na verdade o que ele achava era que ninguém merecia dividir a cama com ela além dele. Ele tava perdido, fodido e sozinho. Se não fosse para viver com ela, não seria com mais ninguém. Não seria mais. Pegou a arma que guardava escondida no fundo do armário e a carregou com uma bala. Uma única bala. Uma única chance. Enfiou o cano frio em sua boca e sem nem pensar duas vezes, atirou.

VINHO DERRAMADO

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Planos e idealizações espalhados pelo chão. O porque dos acontecimentos nenhum dos dois sabia, mas eles viam os cacos e sentiam a dor. Esta era tanta que transbordava. Ela fechou os olhos. Não aguentava olhar para ele e para o futuro que não mais existia. Acabou. Finito. Finais felizes são raros, e aquele, com certeza, não era um desses.

Parte de uma coletânea.

a chuva bate na janela
a verdade soca a cara
o tempo lembra
o passado não volta